O amor de Deus como nossa vida

“Através da fé nós recebemos o amor de Deus como nossa vida. Nós nos tornamos amorosos. A autocomunicação de Deus na cruz de Cristo produz no homem que a recebe tornar-se de sua parte alguém que se comunica, alguém cujo coração é aberto para o seu semelhante, alguém capaz de doar-se a si mesmo a ele. O Espírito Santo nos une, não meramente a Deus, mas ao homem.” – Emil Brunner em Dogmática: Doutrina Cristã da Igreja.

Inseparável amor

Diante dos dissabores da vida podemos nos deparar com um estranho sentimento de distanciamento de Deus. Onde Ele estaria neste momento ou porque sua voz não está audível, poderíamos nos perguntar. Ou como diria o salmista: “por que estás tão longe?”.

Narrando o nascimento de Jesus, Mateus lembra a antiga profecia sobre o tão esperado ungido do Senhor. Emanuel, Deus conosco, Jesus. Ele é conosco, não se foi e nem se vai. Ele está. De modo interessante Mateus encerra seu evangelho com a seguinte promessa de Jesus: “eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos”.

Esta afirmação era nítida para os primeiros discípulos, principalmente após o marcante dia de Pentecostes. Ele não está conosco apenas como memória, mas sua presença é real em nós e entre nós através do seu Espírito. Quem ou o quê poderia desfazer esta promessa?

O apóstolo Paulo, mesmo após tantas dificuldades, e se dirigindo a uma igreja que poderia enfrentar perseguições a qualquer momento, faz uma das mais memoráveis afirmações de fé:

“Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: ‘Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro’. Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” Rm 8:35-39

Que Cristo nos encha deste conhecimento. Ele está conosco sempre. Seja nos dias bons, seja nos dias maus. Nada que aconteça ou venha a acontecer pode nos separar dEle. E isto nos basta.

Da universalidade da missão (2)

Em seu sentido mais óbvio a universalidade da missão reflete o seu alcance, ou seja, todo ser humano é alvo do amor de Deus em Cristo. O segundo sentido que quero abordar aqui é o que, em minha visão, temos deixado de compreender plenamente. A primeira pergunta foi respondida: a quem? A segunda é: por quem? Isto é, quem faz missão?

Essa questão levanta alguns temas para nossa reflexão. Vimos que a missão deixada aos discípulos de Jesus nada mais é que fazer outros discípulos. Tal ordenança foi dada ao grupo reunido de discípulos, subtendendo que a missão deveria ser realizada por todos aqueles que aprenderam a discipular sendo discipulados. Veja que se trata de um movimento dinâmico, isto é, o discípulo se torna discipulador. Esse deve ser o trabalho da igreja: formar discípulos, para que estes formem outros discípulos. E assim, o corpo de Cristo cresça pelo exercício de todos os seus membros.

Tal idéia parece também óbvia, mas por que então é preciso ainda argumentar em defesa? Sutilmente criamos uma barreira entre a missão e a totalidade do corpo de Cristo. Em algum momento da história da igreja começamos a entender que a missão apenas se dá em terras distantes realizada por determinadas pessoas. Formou-se assim uma categoria de cristãos que dedicam sua vida a obra missionária, acrescentando mais um ramo ao nosso clero (sim, infelizmente também temos um).

Essa exclusividade missionária não é sustentada pelo Novo Testamento. Não há menção que na igreja neotestamentária alguns irmãos estariam em missão enquanto o restante (a maioria) ocupasse função meramente passiva. Aqueles irmãos entendiam ser responsabilidade de todos a divulgação do evangelho do Reino, esse é o ensino resgistrado nas cartas apostólicas. Não há separação da missão realizada aqui e lá.

Sim, haverão pessoas enviadas para evangelizar regiões distantes. Entretanto, isto não quer dizer que os que ficaram também não estão em missão. Assim devemos entender o envio de Paulo e Barnabé. O fato de serem enviados para outras terras, não quer dizer que a igreja de Antioquia também não estivesse em missão – em Antioquia. Aliás, só pra ressaltar, tal envio foi realizado depois de muita oração e jejum e por iniciativa do Espírito Santo.

Assim, não há missionário no singular (nem o cargo, nem o herói). Existe sim, uma igreja missionária onde todos estão em uma única missão. E, a essa igreja as portas do inferno não resistirão.

Da universalidade da missão (1)

Devemos compreender a universalidade da missão da igreja em seus dois sentidos. Primeiramente, a missão é destinada a abranger toda a raça humana. O Cristo – nascido de mulher, oferecido como sacrifício e ressussitado em poder – declara que o Reino de Deus irá se estender além dos limites de Israel. É o “façam discípulos de todas as nações” o sinal de que a nova aliança, profetizada e aguardada, é universal.

Como o teólogo George Ladd afirma ao comentar o evangelho de Mateus: “o verdadeiro povo de Deus não dependerá mais de ser membro de uma comunidade nacional, mas fundamenta-se em uma nova base de arrependimento e de fé, que está potencialmente aberta para todos, judeus e gentios”.

Apesar de saberem o “o que” e o “como” fazer, os discípulos ainda não compreendiam o “por que” dos gentios (i.e. os não judeus) serem alvos da missão. Em suas mentes ainda havia a idéia de que o reino a ser restituído seria o de Israel, porém Jesus expande o horizonte. O Reino a ser restituído é o Deus. Sem limites e sem fronteiras.

Apesar da resistência inicial dos judeus convertidos, a igreja de Cristo se lançou a levar o evangelho do Reino de Deus a todos os lugares conhecidos. Não há nada de novo, não há nada a se descobrir. Cristo continua em missão através do seu corpo nesta terra, ou seja, nós: a igreja.

Assim, continuemos fazendo discípulos de Jesus de todas as nações.

Natal


“Até mesmo quando as tradições humanas são desconstruídas, a Verdade Eterna permanece.”

Como conta a velha história do velho livro. Um dia, há muito tempo atrás, algo único na história da humanidade aconteceu: o próprio Criador se fez criatura para estar conosco e ser como um de nós. Presente, revelou-se como o eterno amor do Criador por sua criação. Sua mensagem chegou até nós e continua tão viva e atual como foi naqueles dias, pois o Eterno não fica preso à história. Que este nascimento não fique apenas na memória, mas que encontre abrigo em seu coração.

Feliz Natal!

A missão universal

“Os onze discípulos foram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes indicara. Quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. Então, Jesus aproximou-se deles e disse: ‘Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos’.” – Mateus 28:16-20

Apesar de bem conhecido, creio que precisamos reencontrar o texto acima devido sua importância. Isso em razão de evidenciar claramente qual é o desejo de Jesus para seus discípulos. No evangelho de Marcos também encontramos declaração semelhante quando Jesus ordena: “Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16:15-16). Os outros dois evangelhos não trazem essa ordem explícita, porém a demonstra nos ensinos de nosso Senhor.

Mateus deixa para o final de seu evangelho o ápice da história que narra. Jesus, após sua morte e ressurreição, aparece aos seus discípulos e entrega-lhes a missão de estender seu Reino a todas as nações. A mensagem era clara: “Vão e continuem aquilo que comecei”. Os discípulos não tiveram dúvidas do que fazer. Entenderam que deveriam fazer com outros o que o mestre havia feito com eles. Ou seja, fazer discípulos.

Nas últimas edições da revista Ultimato, o teólogo latino René Padilla tem abordado este assunto e faz o seguinte comentário: “A missão da igreja, representada pelo corpo apostólico, é o prolongamento da missão de Jesus Cristo, prolongamento este que se baseia em um discipulado missionário idealizado para continuar até o fim do mundo”.

A missão da igreja (ou seja, nós) não é outra senão fazer discípulos.Devemos nos perguntar seriamente se temos cumprido tal ordenança.

Uma nova etapa

“Siga-me”. Este era o convite de Jesus, esta era a sua pregação. Largar tudo e seguir os seus passos significava muito mais que apenas se identificar com suas idéias, antes consistia em assumir o papel de discípulo. O papel de súdito do Rei.

Com este breve comentário, inicio uma nova etapa deste blog. Como os meus antigos leitores podem perceber, resolvi zerar o contador de posts. Não desprezo o que escrevi anteriormente, porém entendo que é preciso renovar e repensar. Espero republicar alguns dos textos antigos.

Espero ainda, livre da ansiedade e ambição de outrora, compartilhar mais sobre o assunto do primeiro parágrafo e sobre outros temas que forem brotando pelo caminho. Agradeço o carinho da Regina e do Kennedy que comentaram este post quando ainda era apenas um “hello world”.

A Deus toda a glória.

Jung Mo Sung no metrô

Algumas estações do metrô de São Paulo possuem máquinas para compra de livros a um custo bem acessível. Como agora o metrô faz parte da minha rotina tive uma boa surpresa outro dia quando resolvi parar para conferir a tal máquina.

O livro “Se Deus existe, por que há pobreza?” do professor Jung Mo Sung estava lá por apenas R$ 5,00 (o preço normal é de R$ 19,90). Não pensei duas vezes, já está na minha estante.

Fica aí a dica aos usuários leitores do metrô de São Paulo. ;)

Fui evangelizado

Há alguns dias atrás estive em um dos parques de São Paulo, aproveitávamos aquele sábado quente andando de bicicleta. Ao fazermos uma breve parada fomos abordados por alguns jovens. Quando li alguns dizeres evangélicos na camiseta de um deles logo imaginei que seríamos evangelizados. E foi como pensei.

O rapaz puxou assunto e embalou em seguida uma pregação. Como não tive oportunidade de falar, resolvi ouví-lo (nada de errado com seu discurso por sinal). Depois do tradicional apelo eu e meu amigo nos identificamos como cristãos. A surpresa foi vê-los embaraçados e infelizes com a notícia, pois já éramos o terceiro ou quarto grupo de cristãos abordados. Bom, não deveriam ter ficado alegres com isso?

No começo deste ano eu e minha esposa tivemos a oportunidade de conhecer outros países. Algo que nos deixava muito felizes era quando encontrávamos brasileiros ou algo que nos lembrava esta terra. Era bom ouvir e falar português, nos sentíamos em casa. Ao encontrarmos ou conhecermos outros cristãos não deveríamos sentir o mesmo? Como se estivéssemos mais próximos do nosso lar…

Obs.: não estou julgando o método evangelístico empregado por aqueles jovens, só destaquei algo que me chamou a atenção e curiosidade.

Tirando a poeira

Bom… já se passaram as minhas férias e o carnaval. Apesar de achar que o momento é mais para ouvir (ou ler) do que para falar, arriscarei escrever algo aqui uma vez ou outra.

Minhas leituras recentes me levaram a uma análise profunda de alguns conceitos que carregava, embora entusiasmado ainda estou em processo de amadurecimento dessas idéias (alguns chamam de crise). Então acredito que os próximos posts irão refletir de alguma forma este momento que atravesso em minha jornada com Cristo. Que Ele nos guie.