O Fundamento Perfeito

gospel, pensamentos 17 outubro 2008 | 2 Comentários

Uma vez ou outra ouve-se falar de pessoas que abandonaram a fé cristã e hoje se consideram ateus ou se juntaram ao time dos “sem-igreja”. Grande parte dessas pessoas estão nesta situação por passarem por decepções com líderes e/ou membros da igreja que participavam.

A situação colocada acima me leva ao seguinte questionamento:

Qual deve ser o fundamento da nossa fé?

Ao ingressarmos numa comunidade naturalmente nos identificamos com certas pessoas e admiramos nossos líderes. Porém, estas mesmas pessoas podem algum dia nos decepcionar com suas atitudes ou palavras. Pessoas que considerávamos verdadeiros referenciais da fé estão sujeitas, assim como todos nós, a se desviarem da verdade. Devemos entender que a igreja não é o “paraíso na terra”, ela é mais parecida com um hospital, onde todos estão em tratamento.

Sendo assim, a nossa fé não pode estar fundamentada na fé de outras pessoas. A fé verdadeira, sendo assim proveniente de Deus, está firmada única e exclusivamente em Jesus. Ainda que não existam esperanças ao nosso redor, continuamos firmes por que sabemos quem Ele é. E ainda que as pessoas ao nosso redor se desviem, continuamos crendo.

A fé fundamentada em homens é fraca. É como a casa construída na areia, que Jesus ensinou. Logo vem a tempestade e a derruba, pois não tem fundamento sólido. Porém, a fé fundamentada em Cristo é como a casa contruída sobre a rocha, e assim nenhuma tempestade pode a fazer cair. E somente se constrói esta casa ouvindo e praticando as palavras de Jesus.

Ao ouvirmos e praticarmos Suas palavras então estamos conscientes de que a nossa fé está fundamentada em quem Cristo é, no que Ele fez e no que Ele ainda pode fazer. Pois:

“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.” – Hb 13:8

Esta fé é inabalável.

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2 Comentários em “O Fundamento Perfeito”

  1. Saulo disse:

    Legal Paulo este pensamento.

    Eu acredito que o motivo que leva as pessoas saírem das igrejas, por causa do líderes como vc mencionou, é porque os líderes não liderarem as pessoas a Jesus.

    Nós vivemos hoje no Brasil um bom momento de evangelismo, porém não existe uma continuidade (e não estou falando de discipulado estou falando de ensino mesmo) e com isso acabamos criando igrejas emocionais e não maduras. As pessoas vão na igreja atrás de “experiências emocionais” e não de palavra de deus, que ajuda as pessoas a viverem longe do pecado.

    O autor de Hebreus cita isso no capítulo 4 versículo 12 (Heb. 4:12) “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.”

    A falta de ensinamento bíblico faz com que as pessoas se afastem da igreja e consequentemente de Deus.

    Algumas pessoas dirão, que existe ensino bíblico nas igrejas. Outras dirão que esse ensino é mais ou menos. Porém eu digo que este tipo de ensino não existe.

    Os pastores nas igrejas de hoje, ensinam “temas” e “usam” a bíblia para “validar” os “temas” que eles querem dizer.

    Exemplo, o pastor ve que está rolando algumas “fofocas” na igreja, então ele usa o culto de domingo para falar sobre o tema de fofoca. Ou, o que é pior, a arrecadação da igreja cai e ele usa o culto de domingo e exorta a igreja a contribuir com ofertas.

    Ao invés do pastor orar, para deus prover ele usa o púlpito como sendo “direção de Deus”. O nome disso é manipulação. Além de pecado é um absurdo. E por incrível que pareça, é mais comum do que a gente imagina.

    Outra coisa que acontece com frequencia é as pessoas contarem os seus problemas aos pastores, o que chamamos isso de aconselhamento. Porém a maioria dos pastores não têm discernimento no aconselhar e ao invés de direcionar as pessoas a palavra, acabam dizendo a elas o que elas tem que fazer. O que isso ocasiona ? Pessoas dependentes desse líder e não dependentes de Deus. Sem contar novamente a manipulação. Mesmo sem intenção.

    Isso é muito problemático.

    A falta de palavra faz as pessoas fazerem besteira.

    Mas sabe como deveria ser ?

    Os pastores deveriam pegar a bíblia e ensiná-la de ponta a ponta, capítulo a capítulo, versículo a versículo. Lê-la como um todo, o contexto inteiro, e disso extrair os ensinamentos e não ensinar apenas um versículo avulso, para justificar meu tema.

    Eu louvo a Deus pela igreja que frequento (Calvary Chapel). Estamos há 1 ano estudando o livro de Lucas, capítulo a capítulo, versículo a versículo. Estamos no capítulo 11 ainda, mas não existe prazo e preça para acabar.

    Porém isso não acontece nas igrejas. E pastores que tem essa característica de ensino, são taxados como “sem unção”. É horrível !!! Acho que a maioria desses pastores não leram Timóteo, Tito… pois nesses livros Paulo aborda o tema, sobre a responsabilidade no ensinar.

    A Bíblia me mantém longe do pecado, pq o pecado me mantém longe de Deus.

    Abraços,

    Saulo

  2. Não sou contra o uso de temas, como coloca o Saulo, mas realmente entendo o que ele está querendo dizer. Para mim um dos grandes fundamentos do papel do pastor como ensinador está em “Efésios 4:11″: “Foi ele quem “deu dons às pessoas”. Ele escolheu alguns para serem apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e ainda outros para pastores e mestres da Igreja.”

    Agora veja que que aquele “E” que liga pastores e mestres poderia perfeitamente ser substituído por um hífen nos possibilitando uma melhor compreensão, Paulo está dizendo que Deus concedeu outros para “pastores-mestres”. É a essência de “Mateus 28.19-20″, vão e façam discípulos (…) ensinando-os a obedecer o que tenho ordenado a vocês”.

    Agora quer ver como ensinamos, em geral, pelo que tenho visto?
    Vou dar um exemplo clássico dentro da pedagogia. Pega-se um texto qualquer, por exemplo: “Mirimi e Gissiltar eram dois trafelnos, eles rogavam na perloga todo dia.”

    Então perguntamos:
    O que eram Mirimi e Gissiltar?
    … e as pessoas respondem: “Dois trafelnos”

    Perguntamos também:
    O que eles faziam na perloga?
    E todos sabem dizer que eles “rogavam todo dia”.

    Agora pergunte o que é “perloga”, “trafelno”, ou “rogavam”?
    … as respostas óbvias: “hummmm, não sei”.

    E assim ensinamos a Palavra de Deus, com letras, números e palavras sem significado, pois usamos linguagem difícil e fazemos perguntas óbvias. O ensino precisa evoluir muito. Mas em geral os pastores aprendem a conhecer a Bíblia e a teologia, mas não aprendem a “pedagogia”. Não aprendem a ser ensinadores.

    … e não é tarefa fácil essa.

    Observo ainda que toda igreja (religião), no meu entender, deveria passar por dois testes:

    1- sua doutrina e mensagem deve atingir e preencher o lado existencial de cada pessoa. Isso é o mesmo que dizer no caso das igrejas cristãs: a Palavra deve atingir profundamente os corações, e é claro que isso irá provocar todo tipo de mudanças, inclusive emocionais – aliás, o ser humano é também emocional e portanto deve sentir através das emoções essa mudança na vida. A Palavra, portanto, produz também uma “experiência emocional”;

    (… por outro lado…)

    2- sua doutrina deve ter coerência interna, ou seja, seus ensinamentos devem ser compreensíveis, inteligíveis, devem transformar as mentes (Romanos 12.1-2). É aqui que entra o papel fundamental de bons pastores-mestres (teólogos-pedagogos).

    Paulo,
    Você coloca que a fé fundamentada em homens é fraca, mas eu discordo dessa afirmação. Penso que “toda” fé é fraca (Mateus 17.20), ou seja, precisamos da ação de Deus, de alimento espiritual a todo momento, de arrependimento e perdão, sempre, para prevalecer centrados em Cristo… por isso a fé fundamentada em homens é idolatria – ela sequer tem força para ser fraca.

    Pouco antes você deixa isso claro: “A fé verdadeira, sendo assim proveniente de Deus, está firmada única e exclusivamente em Jesus”. Então lembro ainda que fé para salvar não precisa de prática. Fé salvadora em Cristo é fé salvadora.

    Agora, é certo que também que fé salvadora produz obras (Tiago 2.26), porém essas obras nada acrescentam à salvação, sendo apenas frutos “naturais” da obra de Deus em nós. São frutos do Reino e fé salvadora centrada em Cristo.

    Estamos realmente em uma situação complicada em que precisamos aprender a exercer nosso sacerdócio real (1 Pedro 2.9) em um ministério centrado na Palavra e no ensino, mas também no exercício diário do arrependimento e perdão. Liderar as pessoas para Jesus, como diz o Saulo, para mim é isso: levá-las àquele que vai perdoá-las todo o dia, e santificá-las através da Palavra.

    Lembrando dos “testes do ensino”: preenchimento existencial e coerência interna.

    .abraços.
    .em Jesus.
    .Rahel.

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